Influenciadora Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

Influenciadora Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC
Foto: Instagram/ @deolaneb_

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A prisão ocorreu na residência de Deolane, em Barueri, na Grande São Paulo. Segundo as investigações, duas contas bancárias em nome da influenciadora teriam sido utilizadas para movimentações financeiras suspeitas relacionadas ao esquema criminoso.

A Operação Vérnix também teve como alvo Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como chefe da facção criminosa. Apesar de já estar preso, havia um mandado de prisão preventiva contra ele. Familiares do líder do PCC também foram alvos da ação.

Entre os presos estão Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização criminosa, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, localizada em Madri, na Espanha.

Outros investigados incluem o irmão de Marcola, Alejandro Camacho, e o sobrinho Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, apontado pela investigação como destinatário do dinheiro lavado pela família e que estaria na Bolívia.

De acordo com o MP-SP, o esquema de lavagem de dinheiro utilizava uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista. A empresa seria controlada pela cúpula da facção e usada para repassar recursos a diversas contas bancárias, dificultando o rastreamento das movimentações financeiras.

As investigações apontam que Everton “Player” aparecia em mensagens interceptadas orientando a distribuição dos valores e indicando contas de destino do dinheiro movimentado pela organização.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, além do bloqueio financeiro de R$ 357,5 milhões em bens e contas dos investigados.

Deolane Bezerra havia passado as últimas semanas em Roma, na Itália, e retornou ao Brasil na quarta-feira (20). O nome dela chegou a constar na lista da Difusão Vermelha da Interpol antes de sua volta ao país.

Agentes também cumprem mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à influenciadora. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane, e um contador também são alvos das buscas.

Procurados pela imprensa, os advogados de defesa de Deolane e de Marcola afirmaram que ainda estavam tomando conhecimento do caso. As defesas dos demais investigados não haviam sido localizadas até a última atualização da reportagem. As informações são do G1

Investigação começou em 2019

A investigação que resultou na Operação Vérnix começou em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com dois detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista.

Segundo as autoridades, o material encontrado pela Polícia Penal deu origem a três inquéritos policiais sucessivos, que revelaram diferentes camadas da estrutura criminosa ligada ao PCC.

O primeiro inquérito teve como foco os dois presos flagrados com os manuscritos. A análise dos documentos permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de alto escalão da organização criminosa e até menções a possíveis ataques contra servidores públicos.

Os dois investigados foram condenados e posteriormente transferidos para o sistema penitenciário federal.

Durante a análise do material apreendido, investigadores encontraram a citação a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para auxiliar em ataques planejados pela facção criminosa.

A partir dessa informação, foi instaurado um segundo inquérito policial para identificar a mulher mencionada nos bilhetes e investigar qual seria a ligação da transportadora com o esquema criminoso.

Segundo as investigações, a mulher foi identificada como Elidiane Saldanha Lopes Lemos, então sócia da transportadora Lopes Lemos. Ela já foi condenada pela Justiça, mas segue foragida.

As diligências levaram os investigadores até uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente apontada como uma empresa de fachada utilizada pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.